Update.
A quinta-feira, véspera de feriado, trouxe algumas informações ao
mercado, o qual trataremos abaixo. Adianto que nenhuma delas altera o cenário
base que venho descrevendo neste fórum, mas reforçam algumas questões.
No Brasil, O Relatório de
Inflação (RI) divulgado pelo BCB trouxe a mesma mensagem que já havia sido
muito bem descrita no comunicado após a última decisão do Copom e as Notas
desta mesma reunião. Mensagem essa que havia sido entendido e digerida pelo
mercado. De maneira resumida, o BCB foi surpreendido pela baixa inflação no
curto-prazo, o que o levou a sinalizar para mais uma queda de 25bps na próxima
reunião, colocando a Taxa Selic em 6,25%. Depois disso, o “sarrafo” para novas
quedas de taxa será mais “elevado”. O BCB trabalha com um cenário base de uma
pausa em seu ciclo de queda de juros que, segundo o presidente da instituição,
deverá durar alguns meses.
O RI em nada altera a minha visão de que o valor de alocações no mercado
de juros está na parte intermediária e longa das curvas reais e nominais. Nos
últimos dias, elevamos alocações e recomendações nessa classe de ativos e nesta
parte da curva. Reforço que vejo o cenário atual como muito diferente dos
outros ciclos econômicos do país. O hiato do produto aberto e a recuperação
apenas gradual da economia permitirão que o país cresce por algum tempo sem
gerar pressões inflacionárias mais preocupantes. Este pano de fundo permite que
os juros fiquem mais baixos por mais tempo, o que ainda não está totalmente
precificado na curva de juros.
O cenário descrito acima foi ainda reforçado pelo leve aumento da Taxa
de Desemprego, de 12,2% para 12,6% em fevereiro, em linha com as expectativas.
Em termos dessazonalizados, isso representa uma leve queda na taxa de
desemprego. O número mostra um mercado de trabalho em recuperação, porém de
maneira apenas gradual.
Na Alemanha, o CPI de
fevereiro ficou abaixo das expectativas, com 0,4% MoM e 1,6% YoY (esperado de
0,5% MoM e 1,7%). O número de hoje se soma a uma sequência de dados econômicos mais
fracos no país e na Europa como um todo.
No tocante ao crescimento, ainda vejo as surpresas negativas como
acomodações naturais no ciclo econômico, especialmente em um contexto em que o
primeiro trimestre do ano tem uma tendência natural a trazer surpresas
baixistas. De qualquer maneira, não descarto que tenhamos passado pelo pico do
crescimento global, ou estamos próximo a ele, e uma acomodações em patamar
ainda saudável, porém mais baixo, irá ocorrer.
A inflação na região continua subindo de maneira extremamente gradual.
Não vejo os números recentes alterando a postura já gradualista do ECB. No
limite, tira uma certa urgência que vinha sendo impulsiona por expectativas do
mercado para uma normalização monetária mais rápida e acentuada na região, em especial
em relação aos EUA. Isso ficou mais explícito no desempenho recente do EUR, que
acabou sofrendo por esta piora de perspectiva relativa.
Nos EUA, o Jobless Claims
caiu para 215k, menor patamar em cerca de 45 anos. O número mostra um mercado
de trabalho extremamente robusto e confirma minha tese de que a economia
americana está no pleno emprego e, provavelmente, com o hiato do produto
próximo a seu fechamento.
O Core PCE ficou dentro das expectativas do mercado, com alta de 0,2%
MoM e 1,6% YoY em fevereiro. O número mostra uma inflação gradualmente
ascendente.
O Chicago PMI caiu de 61,9 para 57,4 pontos, abaixo das expectativas de
62,0. A despeito da queda, o número continua em patamar elevado e condizente
com um crescimento saudável da economia.
A despeito de alguma volatilidade nos indicadores recentes de
crescimento, e uma maior volatilidade dos mercados financeiros, o Fed parece
focado em seu processo de normalização monetária e só deverá mudar sua postura
diante de mudanças muito substanciais de cenário ou aperto das condições
financeiras. Nenhum desses vetores parecem presentes neste momento.
Após uma rodada de dados de inflação e rendimentos mais forte no início
do ano, observamos uma acomodação no cenário inflacionário, o que levou a uma
consequente acomodação do mercado de juros. Dado o estágio do ciclo econômico e
a sensibilidade do mercado a este tema, uma nova rodada de dados mais forte
nesta frente poderá levar a uma nova leva de pressões (altistas) nos juros do
país. Não acho que este cenário esteja descartado. Muito pelo contrário,
consigo enxergar este como sendo o cenário base para os próximos meses, ou
seja, momentos de estabilização pontuados por rodadas de maior pressão altista
(nas taxas de juros dos EUA), a luz de um pano de fundo de mercado de trabalho
extremamente robusto e expectativa de fechamento do hiato do produto.
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