Quem sou eu:

Sou economista formado pela PUC-RJ. Trabalho no mercado financeiro desde de 2003. Exerci os cargos de Economista, Estrategista, Gestor, "Portfolio Manager" (PM), "Chief Investment Officer" (CIO) e sócio nas maiores gestores de recursos e de patrimônio do país. Este blog busca ocupar o espaço da crescente busca por analises simples, curtas e diretas a respeito dos eventos econômicos, políticos e financeiros globais e seus impactos nos ativos de risco no Brasil e no mundo.

sexta-feira, 27 de março de 2020

Daily News – Em que fase estamos?

Depois de três dias consecutivos de recuperação dos ativos de risco, estamos observando alguma acomodação está manhã. Como comentei ao longo da semana, “bear market rallies” são normais e costumam ser rápidos e acentuados.

Continuo com a visão de que a crise não acabou, que ainda teremos volatilidade, mas vejo avanços significativos nos pilares de sustentação que ajudarão a tirar o mundo desta crise e evitar perdas adicionais nos ativos financeiros. São eles:

Posição técnica mais saudável; nível de preços/valuations mais atrativos; atuação firme e agressiva dos bancos centrais; e um movimento coerente na direção de medidas fiscais amplas e irrestritas para evitar o caos econômico e social.

Para resolvermos a crise de maneira mais estrutural, precisaremos ter uma melhor visibilidade do tempo em que a economia global ficará parada, ou seja, quando países como Itália e EUA conseguirão “achatar a curva” de infecções e conter o contágio do vírus. Além disso, seria fundamental o surgimento de um medicamento para reduzir o tempo da infecção, assim como a sua fatalidade. Por fim, uma vacina que evite novos surtos seria fundamental.

Entrando no caso do Brasil, vimos avanços importantes na rede de apoio à sociedade nos últimos dias. O país caminha na direção de EUA e Inglaterra que, além de medidas de suporte ao setor corporativo, deve aprovar um pacote de injeção financeira direto na sociedade:


O custo fiscal será grande, mas há consenso na academia e no mercado que este problema deverá ser deixado para o futuro. O momento é de agilidade, flexibilidade e pragmatismo.

Em relação aos dados econômicos, ontem vimos a primeira “bomba” vinda dos EUA. O número semanal de novos pedidos de auxílio desemprego superou os 3mm na última semana. É um número impressionante e tenebroso. O maior número anterior tinha sido na ordem de 600-700mil no auge da crise de 2008:


Contudo, diante dos eventos recentes, era um número já esperado por economistas e pelo mercado. Tenho insistido todos os dias para nos acostumarmos com dados econômicos extremamente negativos e tenebrosos nas próximas semanas e meses.

Isso já deveria ser esperado por muitos e estar precificado no mercado. Não à toa, vimos a aprovação de um pacote fiscal de estímulos de US$2tri pelo Congresso dos EUA esta noite, número sem precedentes na história.

Finalizo aqui com os sinais do que podemos esperar dos lucros corporativos nos próximos meses, mas fazendo a abertura de que parte disso – ou até um cenário pior do que este – já foi precificado em parte dos ativos de risco:





quinta-feira, 26 de março de 2020

Daily News – Brasil em Foco.


Após dois dias de recuperação dos ativos de risco, neste momento, estamos novamente vendo uma pressão negativa nas bolsas globais e demais ativos dependentes do crescimento.

Reforço minha mensagem de ontem, onde escrevi: Estou tratando está melhora recente como um “bear market rally”. Acredito que o mercado tenha exagerado para o lado negativo, e estamos buscando um novo nível de equilíbrio de curto-prazo.

Para um real ponto de inflexão positivo, ou seja, para voltarmos a uma eventual tendência altista e estrutural, precisaremos endereçar todos os pontos tratos acima. Comentamos sobre isso na tarde de ontem e ao longo dos últimos dias, aqui: https://anchor.fm/tag-investimentos.

Vocês podem estar estranhando que tenho comentado pouco sobre os indicadores econômicos, mas isso se deve por sua baixa aderência a realidade de longo-prazo. Neste momento, ou os indicadores ainda não refletem a crise por completo, ou já estão excessivamente afetados por ela.

De qualquer forma, vale falarmos um pouco sobre o Brasil. Na linha de outros países, ontem, Paulo Guedes afirmou que prepara um pacote de estímulo econômico para o país. Ainda não temos detalhes, mas a direção parece correta e na linha do que outros países estão fazendo:


O IPCA apresentou apenas pequena alta e abaixo das expectativas. Os núcleos seguem baixos e comportados. A inflação baixa permite que a Taxa Selic fique mais baixa por mais tempo, quiça abre espaço para novos cortes nas taxas de juros (mesmo que eu ache que isso hoje seria inócuo):


No tocante a conta corrente, destaque em fevereiro para mais uma forte saída (USD$4,5bi) dos estrangeiros do mercado de ações (“equities”). A conta corrente segue com déficit mais alto e crescente, o que é normal em uma economia que estava em recuperação. A taxa de câmbio mais depreciada deve ajudar a frear este movimento de agora em diante:




Finalmente, antes do ápice desta crise, o setor de serviços mostrava a manutenção de sua tendência de recuperação:


De maneira geral, estamos em um novo cenário, onde muita coisa pode mudar e de maneira rápida. Precisamos estar preparados para dados de crescimento extremamente negativos nos próximos meses, como já vemos em outros países:

PIB de Singapura:


Confiança na Alemanha:



quarta-feira, 25 de março de 2020

Daily News – Alívio! – Atualização.


Os ativos de risco continuam operando em tom positivo após avanços relevantes em alguns dos pilares que temos acompanhando como importantes para a sustentação econômica e financeira global.

Nesta madrugada, o Congresso dos EUA chegou a um acordo para um pacote de USD$2 trilhões de ajuda financeira às empresas e famílias mais afetadas pela crise do Coronavírus.

Nos últimos dias, já tínhamos comentando a respeito de avanços no lado técnico, no nível de preços/valuations e na atuação dos bancos centrais.

Para termos uma resolução mais estrutural desta crise, precisamos ter uma maior visibilidade do controle da pandemia nos países/regiões mais afetadas – como Europa e EUA – além de alguma perspectiva de tratamento efetivo para o vírus e uma potencial vacina.

Estou tratando está melhora recente como um “bear market rally”. Acredito que o mercado tenha exagerado para o lado negativo, e estamos buscando um novo nível de equilíbrio de curto-prazo.

Para um real ponto de inflexão positivo, ou seja, para voltarmos a uma eventual tendência altista e estrutural, precisaremos endereçar todos os pontos tratos acima.

Comentamos sobre isso na tarde de ontem e ao longo dos últimos dias, aqui: https://anchor.fm/tag-investimentos.

Sobre a postura do Presidente do Brasil em pronunciamento ontem? Vou me dar o direito de não comentar.

O país está muito polarizado, em situação até pior do que aquela vista nas eleições presidenciais.

Entendo que nós, como sociedade, precisamos encontrar o balanceamento correto entre distanciamento social – para reduzir ao máximo o número de infectados e fatalidades – mas sem que isso afunde a economia em um buraco sem fundo, ou seja, sem que torne a situação ainda muito pior – economicamente e socialmente – para algumas camadas da sociedade.

Por ser uma crise diferente de tudo que já vivenciamos, este balanceamento não é perfeito. Não é uma ciência exata. Infelizmente, será um esforço de “tentativa e erro”.

Meu cenário base (aqui, não é uma opinião, mas uma expectativa) é de que tentarão “achatar” a curva do vírus por cerca de 2 a 6 semanas. Após isso, a economia será gradativamente reaberta, com restrições aos grupos de risco. Isso vale no Brasil e no exterior.

terça-feira, 24 de março de 2020

Daily News – Alívio!


Os ativos de risco estão apresentando significativa recuperação essa manhã.

Na tarde de ontem, quando os mercados ainda operavam sobre forte pressão, escrevi sobre alguns avanços positivos que poderiam dar sustentação aos mercados no curto-prazo (vide aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com/2020/03/avancos-retrocessos-atualizacao.html).

Ainda acho cedo para afirmar que estamos diante de um ponto de inflexão ou inversão de tendência, mas um “bear market rally” é bastante plausível de acontecer nos próximos dias/semanas.

No curto-prazo, precisamos da aprovação do pacote fiscal nos EUA, assim como de uma estabilização mais clara da disseminação do vírus na Itália (vide abaixo):


Uma evolução na vacina contra o Coronavírus e a descoberta de remédios efetivos para o tratamento do vírus também seriam vistos como avanços positivos.

Na China, a vida continua, aos poucos, voltando ao normal, depois de cerca de 2 meses:



Na Europa, como tenho reforçado diariamente, os dados econômicos começam a mostrar a catástrofe que está sendo para o crescimento global está crise. Os PMI´s na região apresentaram forte queda em suas prévias:



Finalmente, segue um panorama da posição técnica do mercado, cortesia do Morgan Stanley:



segunda-feira, 23 de março de 2020

Avanços & Retrocessos – Atualização.


A despeito dos ativos de risco ainda operarem em modo “pânico”, tivemos mais alguns avanços positivos no dia de hoje:

- O Fed anunciou mais um enorme pacote de estabilização para o mercado. As medidas são grandes, profundas e miram os setores mais afetados por esta crise.

- No Brasil, o BCB anunciou um pacote também significativo, na linha do que está sendo feito na Europa e nos EUA.

- Vimos alguma estabilização no número de novos casos de infectados na Itália e em outros países da Europa, no primeiro sinal de contenção da pandemia.

Do lado negativo:

- O pacote fiscal americano ainda encontra restrições dos Democratas. Acredito que será aprovado nos próximos dias,

- Ainda não temos uma “luz no fim do túnel” definitiva no tocante a quanto tempo a economia global ficará em quarentena.

Vejo um acúmulo positivo de medidas que, em algum momento, deveriam dar sustentação aos ativos de risco. Encontrar este ponto de inflexão será extremamente difícil, mas vejo sinais um pouco mais positivos nos últimos dias.

Ainda não é o momento para falarmos de recuperação. Estamos ainda na fase de buscar pilares de sustentação para uma estabilização do mercado.

Daily News – Avanços & Retrocessos.


Os ativos de risco estão abrindo a semana novamente com forte aversão a risco.

No início da noite de ontem, o Congresso nos EUA falhou em chegar a um acordo para um pacote fiscal compreensivo, que seria de essencial importância para conter a crise econômica no país. Comentei sobre o pacote na tarde de ontem, aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com/2020/03/avancos.html.

Vale lembrar que, em 2008, o TARP, principal programa de estabilização financeira na época, não foi aprovado em sua primeira votação no Congresso dos EUA. Depois disso, vimos uma forte e adicional queda das bolsas, o pacote foi revisto e, alguns dias depois, aprovado.

Assim, acredito que um pacote fiscal relevante ainda seja aprovado nas próximas semanas.

Entretanto, este não é o único vetor que está pressionando os ativos de risco. Na minha visão, fica cada vez mais claro que o mercado precisa de uma “luz no final do túnel” em relação ao arrefecimento do Coronavírus e seus impactos econômicos.

Os “lockdowns” estão começando a ser vistos como excessivos e com efeitos colaterais demasiados (aqui, coloca o que acho ser a opinião do mercado, e não a minha opinião pessoal. Vou me dar o direito de não entrar no mérito desta polêmica e polarizada discussão).

Um artigo do Brazil Journal, de Geraldo Samor, ontem , resumiu bem este ponto: https://braziljournal.com/coronavirus-medicos-defendem-abordagem-cirurgica-em-vez-de-lockdown-indefinido.

Na minha visão, o que vai acontecer é o seguinte: Os governos vão tentar segurar todo mundo em casa entre 2 e 6 semanas, com intuito de “achatar a curva de contaminação”). O quanto menos, melhor para a economia e os mercados. Depois, independente do vírus, vão liberar a economia aos poucos.

Neste ínterim, alguns remédios vão funcionar para reduzir os danos da doença, a histeria acaba e a vida volta, aos poucos e dentro do possível. O vírus vai continuar por aí, teremos uma vacina só daqui a 1 a 2 anos. Vai ser mais um vírus...Parece que estamos no auge da histeria e do pânico.

Em suma, sigo buscando acompanhar os vetores que venham a dar suporte a este mercado: Posição técnica mais saudável; nível de preços/”valuations” mais atrativos; pacotes fiscais grandes o suficientes; suporte dos bancos centrais; uma profilaxia para lidar com o Coronavírus; uma vacina de prevenção; e uma visibilidade de onde será o pico do contágio.

Deixo aqui nossa última atualização de cenário:


domingo, 22 de março de 2020

Avanços


O final de trouxe alguns avanços adicionais ao cenário, na minha visão para o lado positivo. Isso não quer dizer que os mercados irão se recuperar no curto-prazo. Ainda há sinais de fragilidade no lado técnico e na liquidez, mas não podemos perder o “norte” dos fundamentos de longo-prazo:

Nos EUA o governo negocia um pacote fiscal da ordem de US$2 trilhões. Na Alemanha, há negociações em curso para um pacote da ordem de EUR$350 a EUR$500 bilhões.

Além da importância dos tamanhos desses pacotes, me parece haver um consenso e uma direção positiva no teor das medidas, que miram um misto de crédito para o setor corporativo, “equity” para algumas empresas e, acima de tudo, dado o teor desta crise, dinheiro (“cash”) na mão das famílias e da sociedade.

Estes pacotes precisam ter um foco nas pequenas e médias empresas, assim como nos setores mais vulneráveis da sociedade. Pelo o que vi de avanço nos pacotes de Inglaterra, EUA e Alemanha, vejo um caminho positivo sendo trilhado.

O maior exemplo disso é a possibilidade que a renda de famílias que ganhem até um certo valor seja compensada, ou garantida, por tempo indeterminado, pelos governos.

Não é hora de ajuste fiscal. O momento demanda flexibilidade, agilidade e pragmatismo. A direção foi dada. Já existe um consenso em torno das medidas, agora resta desafio da implementação.

O Brasil parece caminhar na mesma direção, com um pacote anunciado há pouco pelo BNDES, após as medidas do Ministério da Economia na semana passada. Outras medidas podem, e devem, ser implementadas. Deixaremos o ajuste fiscal para depois, com razão e sem preocupação.

Os Bancos Centrais das principais economias do mundo seguem anunciando medidas agressivas de suporte, fazendo a sua parte desde o primeiro momento da crise.

Finalmente, crescem as esperanças de que uma combinação de medicamentos possa estar sendo bem-sucedida em limitar os danos do vírus, o que seria uma evolução importante para o cenário.

Por fim, ainda precisamos verificar uma “luz no fim do túnel” nos países mais afetados pelo vírus, como Itália e parte da Europa, assim como nos EUA.

sexta-feira, 20 de março de 2020

Daily News – Risk-On!


Pela primeira vez esta semana estamos vendo uma recuperação mais rápida, acentuada e generalizada dos ativos de risco. Vemos forte alta das bolsas globais, alta das commodities (metais preciosos, não preciosos e petróleo), dólar mais fraco no mundo e fechamento das taxas de juros.
O movimento mostra, mesmo que ainda de maneira incipiente, alguma melhora no quadro técnico do mercado e algum balanceamento de preços/valuations. Ainda é extremamente cedo para afirmar que “o pior já passou”. Este é apenas um movimento de alívio, que pode ser pontual, ou o começo de alguma recuperação mais sustentável.
Neste momento, ainda não tenho informações suficientes para dar tal afirmação e, confesso, só teremos está certeza ao longo do tempo. Fica aqui, contudo, um alerta. Os “bear markets”, ou “ciclos de baixa”, são historicamente recheados de fortes “rallies”, rápidos e acentuados, porém muitas vezes enganosos.
De qualquer forma, as recuperações estruturais também precisam começar de algum ponto de partida, mas a confirmação de su sustentabilidade só pode ser conferida “ex-post”.
Além do quadro técnico, dos preços/valuations, também temos acompanhado a evolução das medidas de suporte monetárias e fiscais ao redor do mundo. Nesta linha, continuamos a ver uma atuação contundente por parte dos bancos centrais das principais economias globais.
A novidade, aqui, foi a divulgação, por parte dos EUA, de sua proposta para a terceira fase do pacote de ajuda financeira para superar está crise. Como podemos ver abaixo, o estímulo fiscal fica na ordem de US$1 trilhão, e novas medidas ainda podem ser anunciadas após este pacote ser, eventualmente, aprovado:


No tocante ao Coronavírus, vemos uma recuperação lenta, porém positiva, da economia e da vida social na China. O país é o melhor exemplo do que podemos esperar em termos de “timing” para superarmos o Coronavírus e seus impactos econômicos e sociais. A volta do país ao normal é um sinal importante e positivo para o mundo:


Não menos importante, há rumores de que um tratamento para o Coronavírus possa estar sendo encontrado, com a utilização de uma espécie de “coquetel” de medicamentos. Estatisticamente ainda é muito cedo para cantarmos vitória aqui, mas qualquer avanço é socialmente positivo. Vamos torcer para que isso se confirme!

French researchers use a Z pack and an anti-malarial drug to battle coronavirus. Hydroxychloroquine and azithromycin as a treatment

quinta-feira, 19 de março de 2020

Daily News – Passos importantes foram dados, outros ainda são necessários.


A noite foi novamente marcada por uma intensa atuação dos bancos centrais. Além dos já ordinários cortes de juros, vimos nova atuação do ECB, na Europa, e do Fed, nos EUA, com o anúncio de novos programas de estabilização. Contudo, primeiro, vamos falar sobre Brasil.
O BCB anunciou um corte de 50bps na Taxa Selic, para 3,75%, como era amplamente esperado e precificado no mercado. O Banco optou por adotar um tom mais “hawkish” e sinalizar que o cenário mais provável será de manutenção da Selic no atual patamar.
A despeito desta sinalização, deixou a porta aberta para novos cortes, caso o cenário enseje, mesmo que não seja o caminho mais provável. Acredito que o BCB tenha feito a medida correta, dado que acredito que o país não precisa de juros mais baixos, mas sim de medidas estimulativas do lado fiscal, regulatório e creditício.
Na Europa, o ECB anunciou um novo programa de QE de, pelo menos EUR$750bi, e adotou uma linguagem agressiva de suporte aos ativos do país. O Fed, por sua vez, anunciou um programa para estabilizar o mercado de “Money Market”. Além disso, vimos uma nova onde de cortes de juros nos países da Ásia e Oceania.
Continuo sendo da visão de que estamos em tempos extraordinário. Neste momento, o poder da política monetária tradicional é limitado. Assim, as medidas de estabilização e mais focadas no mercado de crédito são fundamentais e positivas.
O que falta na equação para ajudar a sustentar este mercado é um onde de pacotes de estímulos fiscais ao redor do mundo. Os EUA falam em mais de US$1tri, o que seria contundente e positivo. Este tipo de medidas precisa ser colocada em prática e sua aprovação acelerada. Outros países precisarão seguir nesta direção.
Por ora, não há sinais consistentes de estabilização dos ativos de risco. Vejo os BC´s caminharem na direção correta, mas ainda sozinhos. Reforço a necessidade de mais medidas fiscais e creditícias, assim como de uma melhor visibilidade na contenção do Coronavírus.
Repito aqui texto de final de fevereiro, quando toda esta história ainda era embrionária e ninguém falava de recessão: https://mercadosglobais.blogspot.com/2020/02/uma-bomba-relogio.html.
Vamos aos gráficos do dia. Primeiro, forte alta do custo de proteção e do VIX. Geralmente, estes movimentos são pontuais e marcam o ápice da crise. Seu retorno a "normalidade" dura alguns meses:



População já preocupada com a crise, segundo dados das mídias sociais:


Uma das piores semanas da história para os Hedge Funds:


quarta-feira, 18 de março de 2020

Mercados Globais

Não há muitas novidades para se comentar essa manhã, além de tudo que tenho escrito nos últimos dias, aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com/?m=1.

Hoje vem sendo mais um dia de forte queda das bolsas e abertura de taxa dos bonds.

Está descorrelação de movimentos, a cada dia, me traz mais certeza que estamos diante de um forte movimento de zerada técnica de posições. A queda dos metais preciosos entra nesta hall.

Na China, vemos avanços na normalização da economia e da sociedade, o que me leva a crer que tomadas as corretas medidas, devemos ter cerca de 2 meses de incerteza em relação ao Coronavírus.

As medidas governamentais são essenciais para lidar com os terríveis impactos econômicos que já ficam evidentes em varias partes do mundo.

Seguiremos em um ambiente de incerteza, até que tenhamos melhor visibilidade de cenário, posição técnica e nível de preços.

terça-feira, 17 de março de 2020

Cenário:

Vou tentar passar de forma resumida onde acho que estamos neste ciclo.

Acredito que estamos em um estágio intermediário ou avançado da crise nos ativos financeiros, mas em um estágio inicial da crise econômica.

Devemos esperar recessão em grande parte do mundo. Os dados dos próximos 3 a 6 meses serão desastrosos, mas isso todos, nesta altura do campeonato, já deveriam saber.

O ZEW hoje na Alemanha e as vendas no varejo nos EUA foram prévias deste ambiente que estamos entrando.

Para resolver isso, apenas um pacote fiscal gigantesco, ao redor do mundo, será suficiente. A política monetária já vem sendo ajustada, mas seu poder de fogo é baixo neste estágio do ciclo econômico.

Segundo rumores na mídia, os EUA caminham na direção de um pacote fiscal relevante. Isso seria extremamente positivo, além de essencial, mas talvez não suficiente.

Do ponto de vista do mercado, reforço que precisamos avançar em alguns pontos para vermos uma estabilização dos ativos de risco. Alguns deles, ja vimos avanços significativos nos últimos dias.

  • Posição técnica: Já vimos ajustes relevantes por diversas métricas. É natural que algum ajuste adicional seja necessário, mas caminhamos bastante nesta frente.
  • Preços/valuations: Nem tudo está uma barganha, mas já vemos ativos extremamente atrativos e que precificam cenários de “stress”.
  • Normalização do mercado de funding nos EUA: O Fed tem tomado a dianteira aqui. Se ainda não conseguiu sucesso absoluto, medidas importantes foram tomadas.
  • Sustentação ao crescimento: Como falamos acima, o fiscal será essencial.
  • Alguma normalização nos países mais afetados pelo Coronavírus. Começamos a ver isso na Itália e Espanha, após sucesso na China.

Em suma, a incerteza permanece. Teremos ainda muita volatilidade. Contudo, já consigo afirmar que uma parte não desprezível do ajuste foi feita. Quedas adicionais são sempre possíveis.

As crises costumam demorar meses, e não dias ou semanas. Estamos no olho do furacão.

Contudo, precisamos manter a racionalidade, tentar medir as oportunidades e os riscos ainda existentes.

Mercados Globais

Mercados Globais

Nos próximos dias será praticamente impossível acertar ou explicar todos os movimentos de mercado.

O que tenho visto são rumores de novas medidas fiscais e uma atuação  contundente dos BC’s para lidar com a crise. A última noticia nesta linha foi a possibilidade de um pacote de US$750bi nos EUA.

Após forte queda ontem, estamos vendo alguma recuperação dos ativos de risco está  manhã.

Reforço que acredito que parte relevante do movimento de curto-prazo esteja sendo influenciado por ajustes técnicos de posição, e alguns dos gráficos abaixo mostram isso:

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Ontem, escrevi de maneira mais profunda sobre este tema, aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com/2020/03/mercados-globais-update.html.

No cenário econômico, como era de se esperar, vimos uma forte queda do ZEW, na Alemanha, que é um dos principais indicadores de confiança de toda a Europa:

 #GERMANY MAR ZEW CURRENT SITUATION SURVEY: -43.1 (lowest since Mar. 2010) V -30.0E; EXPECTATIONS SURVEY: -49.5 (lowest since Dec. 2011) V -30.0E

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segunda-feira, 16 de março de 2020

Mercados Globais - Update.

A segunda-feira foi novamente de terror e pânico nos mercados globais. Não há nenhuma novidade relevante no cenário, então tentarei fazer uma analise da situação corrente e do que pode nos esperar a frente.

Acredito que os ativos de risco estejam digerindo uma nova realidade econômica e social e, neste caminho, existe um processo natural de ajuste de preços e posição técnica.

Devido ao nível de preços e posição que nos encontrávamos, este processo acaba sendo um pouco mais turbulento no curto-prazo. Em linhas gerais, alguns ativos haviam atingido níveis insustentáveis e a posição técnica tinha ficado comprometida.

Em algum momento, teremos um mercado com posição técnica mais saudável e preços mais atrativos. Já estamos em algum ponto deste processo, só não sei de na primeira metade, ou já na segunda metade deste caminho.

Dito isso, não vejo uma “bala de prata” capaz de resolver a situação de uma só vez. Um acumulo de medidas, fiscais, monetárias e crediticias serão necessárias.

Nos últimos dias vimos atuações contundentes dos bancos centrais. Contudo, como sempre falei nos últimos meses, o poder da política monetária está reduzido neste estagio do ciclo econômico.

Assim, será  necessária uma atuação mais incisiva do lado fiscal. Se, por um lado, vemos alguns passos nesta direção, por outro lado, as medidas ainda são tímidas.

Na minha visão, medidas fiscais e crediticias mais agressivas são fundamentais para acalmar o mercado.

Além disso, será de fundamental importância termos uma maior visibilidade do ponto em que o Coronavírus será controlado ao redor do mundo. Se conseguirmos enxergar “uma luz no fim do túnel” em países como a Itália, acredito que trará um enorme alivio aos mercados.

Neste ambiente, sigo mantendo parcimônia, paciência e prudência. Já vejo enormes oportunidades de investimentos, mas tenho a certeza de que o curto-prazo ainda nos reserva enorme volatilidade e incerteza.

Assim, nunca foi tão importante entender as necessidades e o apetite a risco de cada cliente.

Peço desculpas caso as atualizações fiquem menos frequentes. Estamos em contingência para o bem dos clientes e dos colaboradores, mas sem perder nosso foco e nosso norte.

Daily News – Aversão a Risco.

Na noite de ontem o Fed anunciou uma atuação contundente, com medidas agressivas e em timing inesperado (positivo). Os juros foram cortados a zero e anunciou um QE adicional da ordem de US$700bi além do que já havia anunciado na semana passada.

Infelizmente, a despeito da proatividade, o anúncio não foi suficiente para acalmar os ânimos dos mercados, que estão operando sobre forte pressão neste momento. O S&P futuro opera no limite de baixa, com queda de 5%. O SYP – ETF do S&P – opera em queda de 9% no premarket.

Todos os demais mercados operam com viés de forte aversão a risco. Uma série de conclusões podem ser tiradas, e nenhuma delas é positiva: O tamanho do problema parece ser muito maior economicamente; há riscos crescentes de contágio econômico e financeiro; o mercado receia que o Fed saiba de coisas que o investidor ainda não sabe, e assim por diante.

Reforço o que tenho escrito diariamente. Não existe “bala de prata” para lidar com as crises. Crises são endereçadas e solucionadas com um acúmulo de medidas. O desafio, neste momento, e acertar a mão no tamanho e magnitude destas medidas. Enquanto isso, viveremos em um ambiente de elevada incerteza e volatilidade. Quedas adicionais são possíveis e prováveis.

Na China, os dados de atividade econômica de janeiro e fevereiro foram catastróficos – como era esperado – mas em magnitude ainda maior do que o consenso de mercado:



No Brasil, recomendado a entrevista de Paulo Guedes reproduzida abaixo. Antes disso, contudo, gostaria de alertar para a sociedade, a população e as autoridades públicas a importância da prevenção e de dar o exemplo aos demais de como se prevenir.

Não costumo dar palpites políticos, mas a postura do Presidente ontem, indo ao encontro dos manifestantes, em nada ajuda o país neste momento de caos social.

Entrevista de Paulo Guedes a Folha de São Paulo:

PAULO GUEDES: “ [...] Se todo mundo ficar trancado em casa continua vulnerável. Quando acabou isso, o Roberto Campos falou sobre a iminência do choque. Foi essa quantificação, feita pelo Banco Central, que me assustou. O Banco Central tem modelos estatísticos calculando a velocidade de contágio.”

FOLHA: Contágio humano ou da economia?

PG: “Humano. Acompanham a economia, mas assim que surgiu a preocupação com o coronavírus, o Mandetta pediu ajuda a quem pudesse dar. O BC tem modelos estatísticos, altamente matemáticos, que permitem modelar qualquer coisa. Modelaram a velocidade de contágio. Muita gente no governo achava que a coisa ia bater aqui em maio, e não deveríamos ser tomados pela neurose antes da hora, para não parar a economia antes da hora. Minha principal preocupação é garantir a dinâmica de crescimento. Nos preparar para a pancada de uma onda para sair com fôlego do outro lado.

FOLHA: Mas quais dados do BC surpreenderam o sr.?

PG: “A inclinação de contágio nos modelos do BC é mais rápida do que nos outros países. Estados Unidos e Brasil estariam com a taxa de contágio mais rápida do que ocorreu na própria China e na Itália. Foi alarmante.”

FOLHA: O sr. lembra dos números?

PG: “Não me lembro exatamente. Mas era algo assim: na Itália era previsão de 60% de contágio e aqui, de 80%. Podemos atingir o pico em um mês. Mas tudo vai depender da prevenção.”

Depois o PG fez mais comentários interessantes sobre medidas já em andamento para conter o Corona

PG: “O Tesouro já comprou dívida. O BC tem oferecido dólar para o mercado. Na sexta-feira (13), liberou R$ 135 bilhões de compulsório. Se as condições de liquidez forem se estreitando, vai soltando. É a economia que vai dizer quanto precisa. Naturalmente, isso vai ser para os bancos pegarem o redesconto e darem fôlego financeiro para o fluxo de caixa das empresas.”

FOLHA: O sr. prometeu mais medidas em 48 horas. Tem mais?

PG: “Tem uma arma muito mais potente, mas não vou falar. Vamos trabalhar com diques de contenção. Se uma parede cair, reforçamos a seguinte. Se a outra ceder, vamos à próxima.”

FOLHA: Vão rever a meta de primário?

PG: “Se for o caso, vamos, sim.”

FOLHA: Alguns economistas já sugerem flexibilizar o teto de gasto. Com o sr. vê isso?

PG: “Essas pessoas não estão ajudando. Estão atrapalhando. Se eu fizer esse movimento agora, eu sinalizo alta de juros. Sinalizo que o Brasil vai abrir mão da disciplina fiscal. Eu prefiro primeiro abrir mão do dinheiro do relator. Prefiro abrir mão do dinheiro da Eletrobras. É uma questão de manter a serenidade na crise. Não podemos entrar em pânico.”