Foco no Core CPI nos EUA.
Os mercados
financeiros globais seguem sem tendência definida e com volatilidade elevada,
padrão que deverá se manter até que o cenário econômico se torne mais claro.
Ontem vimos uma recuperação dos ativos de
risco, liderados por uma alta em torno de 1,5% das bolsas nos EUA. Hoje já
estamos vendo alguma pressão adicional nos mercados. Tudo isso sem grandes
novidades de cenário ou quadro técnico.
Não tenho convicção
em afirmar que o ajuste técnico já tenha ocorrido e finalizado totalmente, e
nem mesmo em que fase estamos do ciclo econômico. Tenho apenas alguns
comentários.
Tenho uma convicção
elevada que estamos no estágio final do ciclo econômico nos EUA. Estamos na
fase de hiato do produto fechado, pleno emprego e sinais de inflação. Se a
economia ainda tem 3 ou 6 ou 12 ou mais meses de crescimento robusto sem uma aceleração
mais rápida da inflação eu não consigo afirmar com convicção, mas me parece
claro que dificilmente passaremos mais de 12 a 18 meses sem maiores problemas.
O Core CPI, a ser divulgado na quarta-feira pela manhã, poderá determinar se
teremos alguma acomodação de curto-prazo, ou se o ciclo pode de fato estar na
sua última fase. Neste último caso, ainda teríamos um amplo espaço para os
ativos de risco precificarem este novo ambiente global.
No tocante ao quadro
técnico, tenho pouco a agregar. Me parece que o ajuste inicial dos produtos
mais alavancados em estruturas de venda de volatilidade já ficou para trás, mas
ainda vejo uma outra potencial onda de ajustes em produtos menos alavancados,
porém com tamanhos muito mais relevantes para os ativos de risco (Risk Parity,
Vol Target Funds, Balanced Mutual Funds, CTAs e etc). O ajuste nessas classes
poderia leva meses, mas seria condicionante a continuidade de um cenário econômico
mais desafiador. Por isso a importância do Core CPI nos EUA a ser divulgado na quarta-feira.
Este começo de
semana, feriado de Carnaval no Brasil, trouxe poucas novidades do ponto de
vista econômico para os mercados financeiros globais. Apenas dois eventos
merecem atenção:
Primeiro, a divulgação
do Plano de Infraestrutura e o Orçamento para os próximos anos do Governo Trump
nos EUA. A divulgação ficou basicamente em linha com o que já vinha sendo
ventilado na mídia. Em termos gerais, o pacote de infraestrutura mira um gasto
em torno de US$1,5 trilhões, com uma parcela não desprezível vinda dos cofres públicos.
A conclusão geral, e mais importante para o pano de fundo temos descrito neste
fórum, é que o pacote eleva o déficit fiscal do país, em um momento de hiato de
produto fechado, pleno emprego, e sinais cada vez mais claros de pressões
inflacionárias. O DB resumiu assim o evento:
In the US, President Trump has proposed a $4.4trn federal budget for
2019 that seeks to
reduce domestic programs such as Medicare in favour of higher spending on the
military and immigration enforcements. The plans will see the deficit almost
double in FY19 to $984bln and rise $7.1trn over the next decade. Mr Trump said he would push for a “reciprocal tax” on imports against higher tariff
countries without providing details and reiterated his $1.5trn infrastructure plan of which $200bln federal funds
will act as seed funds to incentivise further spending by state and local
government as well as the private sector. Notably, both Reuters and NY Times
noted Presidential budgets are rarely enacted by the Congress. The budget
director Mulvaney called the plans as a “messaging document”, so we’ll wait and
see if these messages will translate into any reality.
Segundo, na China, os
dados de agregados monetários mostraram arrefecimento adicional. Os números estão
em linha com o cenário de uma desaceleração gradual da economia do país. Nos
últimos dias, o governo divulgou um comunicado, após a volatilidade recente dos
mercados financeiros globais, de que pretende manter uma política monetária prudente
e um crescimento balanceado.
O Brasil continua a
mercê dos eventos globais, sem novidades internas relevantes. A Reforma da
Previdência parece uma questão já deixada para trás. A mídia continua
especulando em torno da corrida presidencial, mas sem eventos concretos ou
informações novas. Continuo acreditando que os mercados locais irão seguir o
humor global a risco até que a corrida eleitoral fique mais clara para algum
lado (positivo ou negativo), quando
poderemos ver algum descolamento da dinâmica dos ativos brasileiros em relação
ao resto do mundo.
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